segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011


Há já algum tempo que não posto, mas surgiu esta notícia que vale qualquer esforço para publicá-la. Realizou-se no sábado em Maputo o Prémios do Hip Hop Time. O Hip Hop Time é o programa de rádio de hip hop mais antigo do país. Muitos entraram para o mundo do hip hop via este programa e eu não escapei a regra. Por isso, muito naturalmente fiquei feliz quando soube que ganhei dois prémios: Melhor Mc e Artista Popular. Infelizmente essa foi a primeira cerimónia do Hip Hop Time que faltei desde que sou rapper, e como que um puxão de orelhas, foi justamente nessa vez que fui premiado hehehe!!!
Obrigado a todos que acreditam em mim. Da comunidade hip hop moz não poderia ter recebido maior reconhecimento. Continuo na estrada e em breve trago-vos o Cubaliwa!

A Cotonete Records voltou com mais prémios. A Ivete ficou com o Melhor Rapper Feminino e o Rage com o Melhor Masculino. A Cotonete Records está de parabéns. Mas acima de tudo, está de parabéns o hip hop consciente!!!!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

LIRICISMO DO VÂNDALO

Eis o link para descarregar a minha nova música "LIRICISMO DO VÂNDALO". Quem não tem conta no RAPIDSHARE deve clicar o SLOW DOWNLOAD. Uma vez baixado, usem o WIN RAR para descomprimir o file:

http://rapidshare.com/files/437812582/Azagaia-Liricismo_do_v__ndalo.rar



Artista: Azagaia (participação de Black Poor Man & Guto)
Música: Liricismo do vândalo (remix de “Queimar as ruas” com DJ Relâmpago)


Intro (Black Poor Man)---adaptado do “Resto do Mundo” de Gabriel O Pensador

Eu me chamo de vândalo, como alguém me chamou
Mas pode me chamar como quiser sô doutô
Eu não tenho nome
Eu não tenho identidade
E nem tenho certeza se sou gente de verdade

I
Heee chama-me o que quiseres sô doutor
Vândalo, marginal, esse teu discurso já tem bolor
Se a tua vida é um arco iris, a minha é incolor
Põe-te na minha pele se queres sentir a minha dor
Mamei uma garrafa de tentação
Pra ceder a tentação de apedrejar a tua mansão...
Enquanto só discutes, eu vivo essa inflação
Da próxima que abrires a boca sais com uma inflamação
Informação: eu não sou mais um número na estatística
Espero que percebas isso quando te roubo mais uma pisca
Desista, se roubar é arte, eu sou artista
Vejo-te no Estrela a procura duma pista
Que se lixe o branco da paz, um gajo com fome é racista
A única cor que tolero, é o vermelho da guita*
Por isso não me venhas com esse discurço marginalista
Marginais existem porque alguém marginaliza
Pra Somershield 16 apartamentos de luxo
Pra Xipamashield 16 amontoamentos de lixo
E ainda perguntas porque é que eu falo sujo?
Pra que eu te respeite, dá-me o respeito que exijo!
Só empresários do partido fazem negócios em Maputo?
Nas minhas ruas também só os meus vendem o produto
Traição é crime, aqui também paga-se com sangue
Dou o primeiro tiro como dizem que fez Chipande
...Já tentei a vida nas terras do Rand
Formei quadrilhas, vocês não são a única gang
Vêm com vandalismo político, trazemos pneus e gasolina
Fósforo, pedras, paus, ainda por cima
A coisa vai doer, vais implorar por vaselina
Djs dessa merda, pergunta o Rajoelina
Este é o liricismo do vândalo
Eu vandalizo mesmo, não perco tempo com escândalo
E vou queimar as ruas com Dj Relâmpago

Coro
Estou pronta pra queimar as ruas
Nem que estejam no teu comando
Estou pronto pra queimar as ruas
Com DJ Relâmpago

Estou pronta pra queimar as ruas
Nem que estejam no teu comando
Estou pronto pra queimar as ruas
As ruas...

II
Põe-te a pau, senão alguém enfia-te um
Só na semana passada bro, linchamos mais um
Isto é bairro sub-urbano, polícia é o cidadão comum
Fazemos as nossas leis, se vocês não fazem nenhum
Mamparas!!!**
Mamparas de duas caras
Uma é cara do crime, outra cara das câmaras
...Eu já vos venho observando há muitos anos
Discursam diarreia, trocam a boca pelo ânus
E a única maneira de eu estar onde vocês estão
É se os meus boxers entrarem em reunião
Nah...ponho as jeans só, pé na estrada
Na Mafalala vendo a planta pra alunos da Manyanga
Da Armando Guebuza e da Luta Armada
Perdão, essa escola ainda não foi inaugurada
Eu sou o vândalo aquem vocês negaram pão e escola
Peço a tua carteira pra o meu filho não pedir esmola
...Uma vez fui parar na gaiola
Entrei macho na Machava, mas não saí boiola
Jurei nunca mais meter o pulso na argola
Quando a coisa amarga, eu cuspo com a pistola
Sem escola, sem escolha
A coisa mais ho-ho-nesta que fiz, foi insultar essa escória
E só pq minaram o Serviço de Manifestações Socias (SMS!!!)
Não pensem que mataram os ideias
E cada vez q vocês matam mais um Hélio
Alimentam a minha ráiva com mais oxigénio
Não preciso de Wikileaks pra queimar o vosso império
Nada melhor que ver o diabo a queimar no próprio inferno
Gramo do estilo de música Fela Cuti
Anti-regime, e sei que a tua velha curti
A vida é uma merda, e eu não espero que ela mude
De cheiro, mesmo que a moscaria mude.

Coro final

Dircurso do político (Guto)

* Dinheiro
** Expressão pejorativa em Shangane (língua do Sul de Moçambique)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Música Perigosa


Este é um projecto que vai trazer o Mano Azagaia ao vivo, com banda, em várias casas de espectáculos de Maputo e quem sabe fora. Conto com todos. Atrevam-se!!!(clique no poster para ver os detalhes)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Lições do Facebook (Pimp the system)

Eu acredito que Mark Zuckerberg e os seus colegas de Harvard, quando inventaram o Facebook, quiseram estimular uma necessidade que todo ser-humano possui, a de PARTILHAR. Sim, todos precisamos partilhar. Partilhar as nossas vidas. Todos acreditamos que elas são emocionantes o suficiente para fazermos um jornal a falar delas. E claro, um jornal que será lido. A cima de tudo é isso. Sabermos que esse jornal será lido e comentado.
O que nos fascina é a audiência. E queremos que essa audiência concorde que o nosso fim-de-semana foi fabuloso. Que os nossos amigos são especiais. Que os nossos filhos são lindos e fofos. Que nós somos lindos e fofos. Sensuais. Sexuais. Espera aí... SEXUAIS? Sim, parece que sim. Respira-se sensualidade e sexualidade no Facebook. Basta dar liberdade ao homem, para ele se revelar. Sim, revelar-se. Rever-se nas poses duma fotografia. Olhar para si próprio ali, imortalizado num frame, numa fracção de segundo e dizer: este sou eu, lindo/a, sexy, irresistível, disponível, desejável,e.t.c. É incrível o quanto somos animais sedentos de luxúria, sexo, mas também amor, fraternidade, amizade e reconhecimento.
Não se pode lutar contra o sistema. Ele é grande demais. Ele somos nós, com as nossas ambições, segredos, hipocresias, inércias, resistências e necessidade de conforto, de deixar como está, de deixar para depois. Ele somos nós naquela preguiça louca de ir à cozinha e fechar bem a torneira que está a gotejar, naquele exacto momento em que nos deitamos, depois de um dia cheio de trabalho. O sistema somos nós que justificamos os nossos erros com os erros dos outros, quando deixamos de fazer a nossa parte porque o outro também não faz a dele. Ele somos nós a festejarmos a baleia que apareceu morta na praia. Porque não há lei que preveja tamanho imprevisto, ´mbora sacearmos a nossa fome! Sim, o sistema somos nós. O sistema é o reflexo do nosso egoísmo, do nosso instinto de sobrevivência. Porque mesmo quando vivemos na opolência, sobrevivemos aos olhares invejosos, aos jornalistas metidos e inquisidores, que não nos deixam viver as nossas vidas. Que questionam os que melhor se aproveitaram da podridão do sistema. Os que perceberam que até uma coisa podre tem mercado, basta perfumá-la. Sim, o sistema somos todos nós, vís, violentos, fortes batendo nos fracos. O sistema é o Caim que matou Abel, porque ser amado por Deus é menos lucrativo que ser homenageado pelo Diabo. É menos!
Viver fora do sistema é complicado. É negarmos uma parte de nós. É auto-mutilação. É cortar o clítores. É negar um exame de próstata. É negar uma transfusão de sangue e de cultura. É muito difícil. Mas é possível se o fizermos de outra forma. Se transformarmos as nossas fraquezas em força. Em possibilidades novas e múltiplas. Olhem a formiga que matou o elefante, depois de passar o verão armazenando comida enquanto a cigarra dançava? Bem, de certeza que a única música que a formiga dançou foi:

Pimp the system!
Let´s pimp the system!
Pimp the system!
Let´s pimp the system!

Vamos chular o sistema. O sistema deverá trabalhar para nós como trabalha para os outros. Mas vamos fazê-lo trabalhar diferente. O ferro pode servir de pilar numa construção, mas pode servir de arma branca, também. Pode servir de arma dos brancos ou dos pretos. Dos caucaseanos e dos negros. Pode servir!
O Facebook pode servir de palco para assistirmos a espetáculos de nudismo ao preço barato de uma conexão TVCABO ou TDM. Banda larga ou finhinha. Bunda larga ou fininha. Ideia escrita, pensada, experimentada, partilhada ou pode o Facebook ser biquini sensual, quase sexual estampado nas páginas digitais. Pode tudo que quisermos. Liberdade! Eu acho que as ferramentas do sistema podem ser usadas como quisermos. Então, cabe a cada um de nós usá-las com responsabilidade. Matar o elefante subindo trompa a dentro. Matar por dentro. Tudo o que te mata, pode matar o outro, também. Pode matar o dono da arma, principalmente. Então, mesmo na língua do dolar, para que todos percebam:

Pimp the system!
Let´s pimp the system!
Pimp the system!
Let´s pimp the system!

Acabou inspiração! Ufff!!!!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Piratas de Moçambique

Sou grande admirador da saga "Piratas das Caraíbas". Johnny Depp é dos meus actores favoritos, e é interessante ver como Jack Spirrow (assim se escreve?) safa-se das armadilhas e assombrações. Ou será que ele é um fantasma, também? Será que os piratas são fantasmas? Daqueles que só vemos em Hollywood ou que habitam os thrillers mais emocionantes das histórias contadas pelos nossos avós? Não. Os piratas são reais e estão bem perto de nós. Na realidade, cruzamo-nos diariamente com os nossos na via pública.
Os Piratas de Moçambique navegam no mercado paralelo moçambicano e têm que se defender de outros piratas maus: os Polícias Camarários. Estes de vez em quando fazem as suas investidas e os Jack Spirrows moçambicanos lá se safam milagrosamente. Mas deixemo-nos de tretas e hipocresias. Os Piratas de Moçambique trazem alegria a muitos lares moçambicanos. Eu pessoalmente compro religiosamente 5 filmes piratas todas as semanas para ir me deliciando ao longo do fim de semana com uma tijela de pipocas ao lado. E quem os vende são jovens, mas vejo cada vez mais pais de família nesse negócio.
Eu não tenho editora, então como é que a minha música é conhecida em quase todo Moçambique? Graças aos piratas? Sem dúvidas. Infelizmente as nossas editoras e distribuidoras não têm capacidade para colocar a música moçambicana em todo país, e a bom preço. Quando a comunicação social pergunta aos músicos moçambicanos o que acham da pirataria, todos a condenam (até eu já o fiz). Todos afirmam-se capazes de arrancar das mãos dos piratas os discos piratas. Sim, assim mesmo, com violência e redundância. Mas o quê não é pirata em Moçambique? E isso que não é pirata, é acessível a todos?


As duas linhas em branco foram de propósito para dar tempo para pensar. Mas eu já estou resolvido. O problema não é a pirataria. E já agora, prefiro ver jovens e adultos piratas, em vez de criminosos. Porque poucas alternativas restam a muitos moçambicanos que têm que pagar contas e sustentar a família como nós, mas que não têm emprego como nós, não foram a escola como nós e nem são filhos de "alguém" como nós. Porque é que criticamos a podridão dos frutos, quando sabemos da podridão da árvore? A pirataria é só um dos frutos podres. Os cidadãos precisam de saídas para os becos desta vida. Atirar pedras para quem está a tentar sobreviver, não é solução.
Por isso, desde já, vai a minha saudação aos Jack Spirrows moçambicanos. Continuarei a comprar os vossos filmes. Se vos encontrar a vender a minha música sem a minha autorização, não vos arrancarei nada das mãos. Pelo contrário, vou sentir-me feliz por saber que estou a contribuir para o sustento duma família e oferecerei um "obrigado" por levar a minha música a Mutarara, Angoche, Boane ou Quissico. A minha música pertence ao povo mesmo.
Para finalizar, reiterar que acredito na proporcionalidade inversa entre a pirataria e o nível de vida. Quanto maior a segunda variante, menor a primeira. Por isso, chega de tretas!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Clube da Liberdade

Um dia desses dei por mim a pensar em questões existenciais. E perguntava-me, qual é o futuro da humanidade? Bem, perguntava-me isso porque sou jovem, mas às vezes vejo-me a fazer discursos moralistas em relação a nova geração, e pareço velho. É verdade...já notaram que as novas gerações estão a chegar cada vez mais cedo? Miúdos de 15 anos têm outra lógica de vida. Outras motivações. Quem está na faixa dos 20, já está ultrapassado. Imagine os dos 30! É incrível a velocidade com que envelhecemos nos dias de hoje e "passamos do prazo". Basta não teres uma conta no facebook, uns ténis de marca, um carro moderno, extensões na cabeça, saber falar inglês, para te passar ao lado um leque de transformações, e num belo dia, sais à rua, vais tomar um copo com os amigos e parece que estás noutro planeta.
Quando olho para a história da humanidade, vejo que ela tende a despir-se de preconceitos e princípios a uma velocidade crescente e vertiginosa. As bruxas que ontem eram queimadas ou apedrejadas por serem mais ousadas e seduzirem homens, hoje são verdadeiras deusas do Olimpo dos Hollywoods do mundo. Gigolô já não é vergonha, é profissão. É uma reforma em progressão geométrica. Hoje muda 1 item, amanhã mudam 5 e depois de amanhã 20. Nessa lógica, temos mais coisas que eram inconcebíveis há séculos, mas que hoje são normalíssimas:

-Sexo antes do casamento;
-Tratar os mais velhos por "tu" e partilhar os mesmos espaços de lazer;
-Roupas femininas com cada vez menos roupa;
-Crianças que vão à cama só depois da novela;
-Disputa do mesmo "mercado" de parceiros(as) por pessoas de idades extremas;
-Olhar para mendigos com disconfiança primeiro (ya, já ninguém sente pena);
-Ir a igreja só em datas importantes (baptismo, crisma, matrimónio, missa fúnebre)
-Partilhar filmes pornográficos a partir dos 9 anos (ou mais cedo, basta ter um celular que lê vídeos);
-Trocar beijos "apaixonados" à luz do dia;
-Não se preocupar com ortografia;
-E até uma sociedade que afronta os seus líderes.

Isto só para dar alguns exemplos, de certeza que os leitores conhecem mais.É quase certo que os princípios com que me educaram, não permaneceram os mesmos ou extinguiram-se. Será que na Era da Informação ainda podemos falar em princípios? Tenho as minhas dúvidas.
Mas o que me preocupa é que tenho uma filha de 2 anos que veio ao mundo inocente (perdoem-me, os católicos, mas nada de pecado original na minha pequena), e quando olho para ela, pergunto-me: que princípios? Que valores devo passar para ela? Se a primeira vez que eu disser que é tarde para ela sair e conversar com os amigos, a Tv, a Rádio, a Internet e até familiares irão me condenar? E eu que sou um crítico incorrigível ( e confesso que por vezes roço a hipocresia), acho que os meus dias na terra incurtarão cada vez que a minha menina usar uma saia curta.
Mas, há sempre um "mas", sou forçado a reconhecer que este mundo não pertence a ninguém, a nenhum princípio cultivado há séculos e muito menos a um pai inexperiente como eu. Os conservadores poderão dizer que a humanidade está perdida. Mas eu, cada dia que passa, começo a ser adepto de um outro clube, o Clube da Liberdade. Esse clube resume o que acho que será a humanidade num futuro breve, e já assim deve ser em alguns cantos do planeta. A única lei é que não há lei: tudo é permitido, desde que não prejudique o outro. Portanto, liberdade para todos. Liberdade de pensamento e acção. Liberdade sexual (liberdade mesmo hehe). Liberdade de adorar e seguir novos ídolos. Liberdade de diversão. Liberdade de ser criança ou adulto. Mas sempre cuidando para não ferir a liberdade do outro. (E claro, por mais difícil que seja, não se prendam muito a princípios, já temos muita gente a morrer subitamente de ataques cardíacos.)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Freemuse

Azagaia on music censorship and self censorship from MusicFreedomDay on Vimeo.



Entrevista que dei a Freemuse na Dinamarca. Uma organização que defende músicos vítimas de censura no mundo todo. (O "sociólogo" é falha deles")

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O poder

O poder poderá mudar de mãos. Mas pouco mudará enquanto não se der poder ao povo.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Vandalismo Lírico

Um bocado de massagem ao ego foi o que fui fazer no programa Impulso da Rádio Cidade. Momento freestyle. Baixem aqui: http://www.4shared.com/audio/Bs5fTXJv/Azagaia_-Vandalismo_lirico.html

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Marketing político (dois slogans)

Deixem-me roubar um bocado da minha costela publicitária para analisar dois slogans políticos que ficaram na cabeça dos moçambicanos nos últimos quase 6 anos. O primeiro seria "combater a pobreza absoluta" e o segundo "geração da viragem".
O "combater a pobreza absoluta" é formado por duas palavras bastante conhecidas pelos moçambicanos (público alvo), "combater" (da história da luta armada) e "pobreza" (algo que se vive ou se tem medo de viver num país do 3º mundo), o comando que resulta da combinação dessas duas palavras produz dois sentimentos: vontade lógica de afastar-se dum estado negativo, o de ser pobre, e uma dúvida ou interrogação sobre o que fazer para obedecer esse comando. De seguida temos uma palavra que parece insignificante, mas que é extremamente importante pela discórdia que provoca,"absoluta". Acredito que o único momento que usamos essa palavra é quando desejamos classificar a nossa certeza, "certeza absoluta"(pérola interessante da tautologia). Então que raio está essa palavra, tão pouco usada, a fazer no slogan dum governo? A resposta é lógica: novidade.
A novidade é algo a qual nunca ficamos indiferentes, ou gostamos ou desgostamos, mas sempre nos manifestamos. Que há pobreza, sabemos. Que é absoluta? É algo para se discutir. E é o que aconteceu no nosso país.
Então tínhamos inicialmente dois debates. Primeiro: como combater a pobreza? Segundo: o que significa a pobreza ser absoluta? Bem, muita água correu debaixo dessa ponte. Relatórios internacionais, definições sociológicas, análises de especialistas políticos, discursos do governo, respostas da oposição, temas para músicas e para piadas por sms. Mas uma coisa é certa. O slogan resultou. Está na cabeça das pessoas, e hoje começa a produzir sub-slogans: "pobreza urbana". Outra coisa abstracta, discutível. Outra ponte para mais água passar. E deste modo, muito e pouco se faz debaixo desse conceito propagandístico. Conferências, planos quinquenais, e até justifica-se o enriquecimento (lícito ou não), a abertura do país para investimentos turísticos, bancários e minéiros, negligenciando a produção, tudo em nome de um slogan político. Afinal, enriquecer é combater a pobreza absolutamente.
O segundo slogan político é "geração da viragem". E mais uma vez encontramos os elementos anteriores: identificação histórica e novidade. E mais um elemento novo: um público alvo mais específico, mas que tornou-se centro das atenções nos últimos tempos: juventude.
Comecemos pela "identificação histórica", e depois a "novidade". A palavra "geração" é do domínio de todos os moçambicanos. Já tivemos a "geração da independência" e a "geração 8 de Março". A palavra "geração" provoca um sentimento de unidade e identificação mútua. E houve consenso em relação a forma como foi aproveitada. A palavra "viragem" é o elemento novidade. É outra palavra que raramente usamos, a não ser nos brasileirismos: te vira, virou o quê? Mas aí é que entra a questão chave. Vamos recuperar a palavra "geração" e perceber porque ela foi "acordada" e como é que ela se relaciona com a "viragem".
Num contexto político em que acabava de surgir uma terceira força política que tinha como alvo a juventude e que a mesma é a maioria dos votantes, seria estupidez se os concorrentes não dessem a devida atenção a isso. Para não alongar questões políticas, diria que a juventude representava e representa o centro do tabuleiro deste jogo político que será ganho por quem souber ocupá-lo e explorá-lo.
A geração representa a juventude. A "viragem", repare-se que é um termo jovem, quando combinada com a "geração" produz um comando que imprime uma hipotética dinâmica entre os jovens. "Pelos menos o governo está a olhar para a juventude", "a juventude já não é marginalizada", "temos jovens em posições de topo no governo", isto é o resultado que o slogan e algumas acções provocam no público-alvo.
Mas, mais uma vez, temos igualmente a pergunta: o que deverá fazer a geração da viragem? Motor de discussões televisivas, questão disputada pelos média com se de um osso saboroso se tratasse. Mas o que interessa aqui, mais uma vez, a nível de marketing político, não é fazer sentido ou ser consensual. É ter impacto. E resultou. Viveremos nos próximos tempos debaixo desse slogan. Ele justificará muita coisa. Será mais uma ponte para mais água passar.
Aos pensadores por detrás destes slogans políticos, um "parabéns maquiavélico".

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Um pouco de publicidade


Cliente: Tv Cabo
Redactor: Edson da Luz (Azagaia)
Director de arte: Albachir Muinde
Meio: Revista "Viva"

Clica na imagem para ver em tamanho maior.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Povo vigilante!

Caros, andei ausente do blog. Muita confusão por estes dias. É hora de fazer um balanço mais consciente e menos emocional do que aconteceu. E quero começar por perguntar o óbvio. Por que o nosso governo não tomou estas famosas medidas antes de tanto sangue derramado? O que levou a estes senhores muito estudados e conhecedores da matéria a não agir com esta súbita prudência? O que aconteceu entre a sexta-feira da semana passada e a terça-feira desta semana, que fez o governo mudar 180 graus? Conselho de Ministros reunido 2 vezes em menos de 5 dias? Será pressão externa? Alguém sabe de algum encontro do governo com os doadores (escapou-me)? Estas e outras perguntas não se querem calar na minha cabeça. Porque é muito estranho que um governo tenha sido influenciado pelos mesmos "bandidos, malfeitores e marginais" que condenou e repudiou, segundo palavras do ministro do interior. Bem, talvez dirão que nunca fico satisfeito. Que não há nada que este governo possa fazer para agradar-me. Estão livres de dizê-lo. Mas que está tudo muito estranho, está. Só um cego não vê.
Outro facto para o qual gostaria de chamar a atenção, é o da ausência de exigências concretas por parte do povo, a não ser o de baixar o custo de vida. O povo chorava por pão, então deu-se o pão. Amanhã o povo esquece. Por isso que quaisquer que fossem as medidas que roçassem o abaixamento do custo de vida, seriam aplaudidas. Mas o que realmente queremos como povo? Veja-se o exemplo da África do Sul. O governo anunciou a subida do salário mínimo para um valor próximo ao solicitado na greve. A greve parou? Não. Porque os trabalhadores sabiam o que queriam e porquê o queriam. É isso que nos está a faltar. ORGANIZAÇÃO. Para não calarmos com chuchas, mas, sim, com a satisfação das nossas reais necessidades.
Agradecia que cada um dos moçambicanos fizesse uma análise minuciosa das medidas anunciadas. Porque a de parar com a dupla cobrança de taxa de lixo, não é uma medida digna de se anunciar, é sim algo irregular que tinha que ser corrigido, e ponto final. Penso que devemos analisar o resto das medidas também.
Fica uma grande chamada de atenção aos sindicatos e a sociedade no geral. Um Estado Corrupto pode custar vidas a longo prazo. Acredito que se não tivéssemos sindicatos moribundos (que ao que parece, "comem" com os chefes para evitarem greves), e estes sindicatos assumissem o seu papel social, esta manifestação teria sido mais ordeira e objectiva. Com exigências concretas. E poupar-se-iam vidas humanas.
Outra grande chamada de atenção vai para o governo. Parem de ser arrogantes. Favor medir as palavras. Não desatem a disparar predicados para o povo que, muitos deles, encheram os vossos camiões durante campanhas eleitorais para que pudessem encher a boca e dizer que venceram com maioria absoluta. Continuarão a chamar-nos agitadores ou apóstolos da desgraça, mas enquanto não houver comunicação entre o governo e o povo, principalmente em momentos cruciais, teremos manifestações populares, organizadas ou não, com "vandalismo" à mistura ou não. Já se foram os tempos em que a violência resolvia tudo (se é que resolvia). A acção da polícia durante estas últimas manifestações foi miserável, e o povo esteve a ver e a chorar a perda de seus entes queridos.
O POVO ESTÁ DEFINITIVAMENTE NO PODER! Mas precisa organizar-se para exercer o seu poder com cada vez maior eficácia. Vem aí a revisão da constituição. Estejamos atentos. Analisemos com frieza e não com a emoção de todas as distracções que nos lançam. O processo de organização é natural, mas pode também ser pensado e acelerado. Podemos dar forma a essa organização. Académicos, artistas, líderes de opinião, jornalistas...a organização de que tanto precisamos deverá ser alimentada por nós. Nós e nós, polícias de nós mesmos. Eu e eu, polícia de mim mesmo. Povo vigilante. O POVO ESTÁ NO PODER!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Dívida

Estou em Maputo há 1 semana e não disse nada. Perdoem-me a falta de atenção, ou melhor, falta de tempo. Mas vou postar fotos relacionadas com a minha estadia na Dinamarca. Hehe quem promete deve! Abraço a todos.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Copenhagem, bicicletas

Alô a todos, não tenho cumprido a promessa de documentar a viagem aqui. Não imaginava que andaria super ocupado. Mas é assim, já estou em Copenhagem. Bornholm foi muito bom, agora é a vez da grande cidade. Entretanto, vão se deliciando com este site onde os moradores exibem fotos deles "bicicletando". Espectacular!!! Uma proposta para o nosso Maputo com trânsito infernal:

http://www.copenhagencyclechic.com/

domingo, 25 de julho de 2010

Por favor, assinem a petição!

Dirijam-se ao site: http://www.thepetitionsite.com/1/MOZAL-sem-filtros-NAO#signatures


ASSINEM!!!

sábado, 24 de julho de 2010

Sinceramente, que estudo INDEPENDENTE é esse realizado pelas duas entidades envolvidas no processo?

"...Para Julião Cumbana, docente e investigador da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), há garantias que o Governo tem de que não haverá poluição decorrente do facto, pois dois estudos independentes feitos sobre este processo produziram resultados comparáveis. Um primeiro que foi feito pela MOZAL e um segundo realizado pelo Governo.

Segundo Cumbana, foi depois de analisado o plano de medidas a serem tomadas para prevenir possíveis impactos negativos ao ambiente que o Governo decidiu dar luz verde ao projecto, além de que os resultados do estudo feito pela Mozal coincidem, em vários aspectos, com aquele realizado pelo Governo, nomeadamente no que diz respeito às zonas de possível impacto negativo que identificaram as mesmas."

in Notícias, 24 Julho 2010

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Dinamarca

Estou na Dinamarca desde o dia 17. Ando ocupado com os ensaios, mas em breve posto fotos e mais informação. Abraço a todos!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Autorização para poluir Durante Seis Meses


Oiçam isto:

http://www.4shared.com/get/KSwrSUoM/Mozambique_Mozal_Polution_READ.html

e leiam o texto:


A empresa moçambicana de produção de Alumínio, Mozal, está autorizada pelo governo moçambicano, através do Ministério para a Coordenação da Acção Ambiental, a lançar, durante seis meses, para a atmosfera todos os gases e substâncias poluentes resultantes das suas actividades.
Estas substâncias tóxicas têm alcance até um raio de 40 quilómetros e
são comprovadamente atentatórias à saúde pública nas comunidades à sua
volta e mesmo para os trabalhadores da empresa.
A Mozal pediu autorização para operar neste sistema de escape directo,
denominado “Bypass”, porque pretende reabilitar os seus centros de
tratamento de fumos e gases, fundamentais para garantir que as emissões
ambientais da MOZAL cumpram os padrões exigidos por lei, um processo que
durará seis meses.
De acordo com Vanessa Cabanelas, da organização Justiça Ambiental, as
substâncias a ser libertadas pela Mozal podem provocar desde irritações
severas na pele, nos olhos, nas vias respiratórias e até o aumento na
frequência de cancros pulmonares.
A Mozal produz 550 mil toneladas de lingotes de alumínio por ano, o que
representa pouco mais de 70% das exportações de Moçambique. Esta
produção, dependendo do preço do alumínio no mercado internacional,
chega a corresponder ao peso de 7% para o Produto Interno Bruto do país.
Mesmo assim, o grande debate sobre a contribuição fiscal da Mozal para a
economia continua, por estar a beneficiar de avultadas injecções de
impostos, a par de outros mega-projectos.


Fonte:
http://www1.voanews.com/portuguese/news/Polution_Mozambique_14_July_2010_voanews-98437409.html

terça-feira, 6 de julho de 2010

O vídeo de estúdio de "ARRIII"



Ficha técnica (música e video)
Artista/compositor: Azagaia
Programação instrumental(Fruityloops 9): Mr. Dino
Baixo: Adérito (Banda Nyango)
Captação áudio: Gpro xtudio
Mistura: Scam/Singa
Câmara: Bruno (câmara fotográfica Cannon 8MP)
Edição e efeitos especiais: Aftermoonwalker (Etelvino)
Produção: Cotonete Records

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Viagem à Dinamarca/ Versão melhorada de "ARRIII"

Caros, primeiro pedir desculpas aos que baixaram a música "Arrii" e não se sentiram satisfeitos com a qualidade sonora dela. Infelizmente houve erros no estúdio que só foram descobertos depois da música estar disponível. Mas acredito que a maior parte deles já foram resolvidos nesta versão e vocês podem já sacar o som (EM BREVE O VÍDEO DE ESTÚDIO DESSA MÚSICA):

http://www.4shared.com/audio/qE86gDYm/Azagaia-_Arriii.html


VIAGEM À DINAMARCA



O Centro Cultural dinamarquês, Svanekegaarden, convidou-me para, durante 3 semanas, participar de uma série de festivais e workshops em cidades dinamarquesas, nomeadamente Ilha de Bornholm e a cidade capital Copenhagem, de 16 de Julho a 8 de Agosto. Irei partilhar a minha experiência na abordagem de questões sóciais em dois workshops que irão acontecer nas duas cidades, sendo que num deles serei o orador principal. Os dois grandes festivais em que irei participar são o Festival Fairtrade e o Festival Raw. Ainda farei uma apresentação conjunta com o pianista clássico dinamarquês Markus Kreul.

Operação-produção

Um país que não produz engenheiros, produz músicos.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Nacionalismo

Algumas nações são tão nacionalistas que querem que o mundo inteiro seja o seu país.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Arrrii!!! (com a letra)

Eis o link (copie para uma nova página) para descarregar o meu novo som (a respectiva letra também). E abaixo um vídeo que me foi enviado sobre como, por vezes, é tranportada a droga. Neste caso, através de uma criança morta.ATENÇÃO, IMAGENS MUITO FORTES. Óptima escuta:

http://www.4shared.com/audio/KN4ul5do/AZAGAIA_-_Arrriii.html?err=no-sess




Arrriii!!!

I
Tá ver o que é isso...
Empresário de sucesso responder em juízo?! Hum?!!
Tá ver o que é isso...
Nem há costas quentes pra queimar o arquivo?!
E mesmo que ele jure que não fez na-da
Dizem que só há fumo onde há queima-da
O problema é que esse fumo vem do camara-da
Que paga milhões por uma cachimba-da
E se eu dissesse o que toda gente sabe ou imagina
Que o motor deste país funciona à cocaína
...Talvez dissesses que é uma grande mentira
Que o nosso governo caiu numa armadilha
Então como se explica a riqueza do Tio Patinhas
O Hammer da senhora que vendia pastilhas
Negócio de capulanas pariu um Shopping Center?
Pra além de motorizadas, que mais a polícia aceita?
Carros com matrícula à prova de qualquer suspeita,
Negócios com crescimento maior que a receita,
A lei desconfia mas nunca rejeita
Pobreza absoluta é a desculpa perfeita!

Coro secundário:
E o governo faz o quê? (Nadaaa)
E o povo faz o quê? (Nadaaa)
E o escândalo deu em quê? (Nadaaa)
Haaaaaaarrriiiiii!!!!

Coro principal:
O povo falava do nome (dele)
A Polícia recebia uniforme (dele)
Partido comia na mão (dele)
(scratch arrriii)

II
Tá ver o que é isso...
Empresários d´agora vivem num paraíso
Tá ver o que é isso...
Aqui ninguém foge, aqui não há fisco
E quem fiscalizar leva uma raja-da
Como o falecido director da Alfân-dega
Mais bancos e hotéis nascem do na-da
Dinheiro sujo, tua cabeça la-va-da.

Coro secundário:
E o governo faz o quê? (Nadaaa)
E o povo faz o quê? (Nadaaa)
E o escândalo deu em quê? (Nadaaa)
Haaaaaaarriiii!!!!

Coro principal:
O povo falava do nome (dele)
A Polícia recebia uniforme (dele)
Partido comia na mão (dele)
(scratch arrriii)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A análise da "Cena dele"


ATENÇÃO: Estréia nesta sexta feira, 18/06/10, às 23H59, no blog da cotonete records: www.cotonetemoz.blogspot. com, e a seguir aqui, a minha nova música onde faço a minha análise da cena dele. É só fazer o download. É gratuito. Fiquem atentos. Obrigado!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

quinta-feira, 3 de junho de 2010

terça-feira, 1 de junho de 2010

Semana passada

Estimados, semana passada andei ocupado, por isso não postei nada. Mas volto à carga para falar justamente dessa semana.
Durante 5 dias participei da gravação de mais uma curta metragem com a dupla de câmara e realizador, Pipaz Forjaz e Mickey Fonseca. Desta feita, o filme chama-se "Veneno lento" e eu divido o papel principal com a actriz Maria Amélia. Somos um casal, Kwame (polícia) e Crista (farmacêutica) que atravessa uma fase complicada, eu a violo regularmente, sem que, exactamente, me dê conta. Bem, o final da história, vocês verão em breve nas televisões. Fiquem atentos. De lembrar que, para além desta curta metragem, participei em mais duas: "Malha" e "Traídos pela traição". O primeiro a cargo da Malha Filmes e o segundo, tal como o último, a cargo da Mweti Comunicação Para a Saúde Pública. Vejam as fotos:


Kwame em acção no Bairro da Mafalala, entre a equipa de filmagem.


Crista(Maria Amélia), Kwame e o filho do casal, em cena.


Padrinho Kapueta (actor Gravata do Gungu) e o afilhado Kwame, em cena.

Em breve, mais fotos.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O que será?


Esta manhã, quando vía o Telediário da STV, apresentavam uma reportagem sobre a Embaixada de Moçambique nos E.U.A. A 1ª informação que me surpreendeu foi que, de acordo com a nossa embaixada, existem cerca de 450 moçambicanos nos E.U.A, número insignificante. A 2ª informação foi que a Embaixada de Moçambique passa diariamente 70 vistos de entrada de americanos para o nosso país. Estamos a falar de aproximadamente 2100 americanos por mês. Bem, deve-se calcular, cruzando a 1ª e a 2ª informação, que há muitos poucos moçambicanos a entrarem nos States e muitos americanos entrando em Moçambique. Juro que sempre pensei que os pobres é que gostassem de ir à casa dos ricos. O que será que eles tanto fazem aqui?

quarta-feira, 12 de maio de 2010

"O gayismo é pecado"

Quero deixar algumas palavras sobre este assunto. A homossexualidade pode ser pecado, segunda a interpretação bíblica de uns ou não sê-lo, segundo a de outros. O Alcorão terá de certeza algo a dizer. Outros livros sagrados também. O mundo poderá rotular esta prática como quiser. Mas ela é um facto. Não podemos fingir que não existe. E muito menos pensar em irradicá-la através da violência. Errado. A história prova que todas as tentativas de eliminar tendências ou características humanas, via violência, falharam. A título de exemplo, o Nazismo tentou eliminar os Judeus, mas mesmo com holocaustos ou genocídios, falharam. Os Judeus estão aí, e creio que são dos mais ricos (materialmente) neste planeta. É como se a natureza se recusasse e fizesse o "mal" voltar mais forte. As minorias também têm direito a um lugar debaixo do sol. A mãe natureza alimenta a todos. Nenhum homem manda nela. Alguns dizem que a homossexualidade é algo que se adopta levianamente, produto da moda ou influência do meio. Mas eu questiono-me, se é o meio que influencia, por que é que com tanta discriminação e condenação deste fenómeno, os homossexuais não se deixam influênciar e não mudam? Hum...o meio já não funciona na recíproca? No meu ver, de uma forma geral, o que para nós são séculos ou uma eternidade, para a natureza é apenas tempo, nem longo nem curto, apenas tempo. Antes das religiões e crenças, a moral instituída, existia o homem e as suas necessidades básicas. Os seus instintos. E o sexo é dos primeiros e mais incontroláveis. As diferentes formas de satisfação sexual sempre existiram, num universo variado delas, com os seus mistérios e complexidades, concensos e discensos. Será que conhecemos todas as particularidades do mundo animal e vegetal? Elas simplesmente existem. Nós descubrimos e damos nomes. Aprovamos ou condenamos, mas não conseguimos, simplemente, baní-los. A religião tentou. A civilização também. Mas hoje, com a crise religiosa e a afirmação do cifrão como a única lei que nos rege, deixamos aflorar cada vez mais a nossa essência primitiva, animal e até mesmo selvagem. Voltamos ao princípio, não importa quantos séculos depois. É a natureza. Sem tabus ou preconceitos. As coisas são como são.Enfim... Por isso defendo a igualdade de direitos e oportunidades para todos Homens. Não importa a raça, origem ou orientação sexual. Que a paz e o amor sejam em abundância para todos!