quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Marketing político (dois slogans)

Deixem-me roubar um bocado da minha costela publicitária para analisar dois slogans políticos que ficaram na cabeça dos moçambicanos nos últimos quase 6 anos. O primeiro seria "combater a pobreza absoluta" e o segundo "geração da viragem".
O "combater a pobreza absoluta" é formado por duas palavras bastante conhecidas pelos moçambicanos (público alvo), "combater" (da história da luta armada) e "pobreza" (algo que se vive ou se tem medo de viver num país do 3º mundo), o comando que resulta da combinação dessas duas palavras produz dois sentimentos: vontade lógica de afastar-se dum estado negativo, o de ser pobre, e uma dúvida ou interrogação sobre o que fazer para obedecer esse comando. De seguida temos uma palavra que parece insignificante, mas que é extremamente importante pela discórdia que provoca,"absoluta". Acredito que o único momento que usamos essa palavra é quando desejamos classificar a nossa certeza, "certeza absoluta"(pérola interessante da tautologia). Então que raio está essa palavra, tão pouco usada, a fazer no slogan dum governo? A resposta é lógica: novidade.
A novidade é algo a qual nunca ficamos indiferentes, ou gostamos ou desgostamos, mas sempre nos manifestamos. Que há pobreza, sabemos. Que é absoluta? É algo para se discutir. E é o que aconteceu no nosso país.
Então tínhamos inicialmente dois debates. Primeiro: como combater a pobreza? Segundo: o que significa a pobreza ser absoluta? Bem, muita água correu debaixo dessa ponte. Relatórios internacionais, definições sociológicas, análises de especialistas políticos, discursos do governo, respostas da oposição, temas para músicas e para piadas por sms. Mas uma coisa é certa. O slogan resultou. Está na cabeça das pessoas, e hoje começa a produzir sub-slogans: "pobreza urbana". Outra coisa abstracta, discutível. Outra ponte para mais água passar. E deste modo, muito e pouco se faz debaixo desse conceito propagandístico. Conferências, planos quinquenais, e até justifica-se o enriquecimento (lícito ou não), a abertura do país para investimentos turísticos, bancários e minéiros, negligenciando a produção, tudo em nome de um slogan político. Afinal, enriquecer é combater a pobreza absolutamente.
O segundo slogan político é "geração da viragem". E mais uma vez encontramos os elementos anteriores: identificação histórica e novidade. E mais um elemento novo: um público alvo mais específico, mas que tornou-se centro das atenções nos últimos tempos: juventude.
Comecemos pela "identificação histórica", e depois a "novidade". A palavra "geração" é do domínio de todos os moçambicanos. Já tivemos a "geração da independência" e a "geração 8 de Março". A palavra "geração" provoca um sentimento de unidade e identificação mútua. E houve consenso em relação a forma como foi aproveitada. A palavra "viragem" é o elemento novidade. É outra palavra que raramente usamos, a não ser nos brasileirismos: te vira, virou o quê? Mas aí é que entra a questão chave. Vamos recuperar a palavra "geração" e perceber porque ela foi "acordada" e como é que ela se relaciona com a "viragem".
Num contexto político em que acabava de surgir uma terceira força política que tinha como alvo a juventude e que a mesma é a maioria dos votantes, seria estupidez se os concorrentes não dessem a devida atenção a isso. Para não alongar questões políticas, diria que a juventude representava e representa o centro do tabuleiro deste jogo político que será ganho por quem souber ocupá-lo e explorá-lo.
A geração representa a juventude. A "viragem", repare-se que é um termo jovem, quando combinada com a "geração" produz um comando que imprime uma hipotética dinâmica entre os jovens. "Pelos menos o governo está a olhar para a juventude", "a juventude já não é marginalizada", "temos jovens em posições de topo no governo", isto é o resultado que o slogan e algumas acções provocam no público-alvo.
Mas, mais uma vez, temos igualmente a pergunta: o que deverá fazer a geração da viragem? Motor de discussões televisivas, questão disputada pelos média com se de um osso saboroso se tratasse. Mas o que interessa aqui, mais uma vez, a nível de marketing político, não é fazer sentido ou ser consensual. É ter impacto. E resultou. Viveremos nos próximos tempos debaixo desse slogan. Ele justificará muita coisa. Será mais uma ponte para mais água passar.
Aos pensadores por detrás destes slogans políticos, um "parabéns maquiavélico".

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Um pouco de publicidade


Cliente: Tv Cabo
Redactor: Edson da Luz (Azagaia)
Director de arte: Albachir Muinde
Meio: Revista "Viva"

Clica na imagem para ver em tamanho maior.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Povo vigilante!

Caros, andei ausente do blog. Muita confusão por estes dias. É hora de fazer um balanço mais consciente e menos emocional do que aconteceu. E quero começar por perguntar o óbvio. Por que o nosso governo não tomou estas famosas medidas antes de tanto sangue derramado? O que levou a estes senhores muito estudados e conhecedores da matéria a não agir com esta súbita prudência? O que aconteceu entre a sexta-feira da semana passada e a terça-feira desta semana, que fez o governo mudar 180 graus? Conselho de Ministros reunido 2 vezes em menos de 5 dias? Será pressão externa? Alguém sabe de algum encontro do governo com os doadores (escapou-me)? Estas e outras perguntas não se querem calar na minha cabeça. Porque é muito estranho que um governo tenha sido influenciado pelos mesmos "bandidos, malfeitores e marginais" que condenou e repudiou, segundo palavras do ministro do interior. Bem, talvez dirão que nunca fico satisfeito. Que não há nada que este governo possa fazer para agradar-me. Estão livres de dizê-lo. Mas que está tudo muito estranho, está. Só um cego não vê.
Outro facto para o qual gostaria de chamar a atenção, é o da ausência de exigências concretas por parte do povo, a não ser o de baixar o custo de vida. O povo chorava por pão, então deu-se o pão. Amanhã o povo esquece. Por isso que quaisquer que fossem as medidas que roçassem o abaixamento do custo de vida, seriam aplaudidas. Mas o que realmente queremos como povo? Veja-se o exemplo da África do Sul. O governo anunciou a subida do salário mínimo para um valor próximo ao solicitado na greve. A greve parou? Não. Porque os trabalhadores sabiam o que queriam e porquê o queriam. É isso que nos está a faltar. ORGANIZAÇÃO. Para não calarmos com chuchas, mas, sim, com a satisfação das nossas reais necessidades.
Agradecia que cada um dos moçambicanos fizesse uma análise minuciosa das medidas anunciadas. Porque a de parar com a dupla cobrança de taxa de lixo, não é uma medida digna de se anunciar, é sim algo irregular que tinha que ser corrigido, e ponto final. Penso que devemos analisar o resto das medidas também.
Fica uma grande chamada de atenção aos sindicatos e a sociedade no geral. Um Estado Corrupto pode custar vidas a longo prazo. Acredito que se não tivéssemos sindicatos moribundos (que ao que parece, "comem" com os chefes para evitarem greves), e estes sindicatos assumissem o seu papel social, esta manifestação teria sido mais ordeira e objectiva. Com exigências concretas. E poupar-se-iam vidas humanas.
Outra grande chamada de atenção vai para o governo. Parem de ser arrogantes. Favor medir as palavras. Não desatem a disparar predicados para o povo que, muitos deles, encheram os vossos camiões durante campanhas eleitorais para que pudessem encher a boca e dizer que venceram com maioria absoluta. Continuarão a chamar-nos agitadores ou apóstolos da desgraça, mas enquanto não houver comunicação entre o governo e o povo, principalmente em momentos cruciais, teremos manifestações populares, organizadas ou não, com "vandalismo" à mistura ou não. Já se foram os tempos em que a violência resolvia tudo (se é que resolvia). A acção da polícia durante estas últimas manifestações foi miserável, e o povo esteve a ver e a chorar a perda de seus entes queridos.
O POVO ESTÁ DEFINITIVAMENTE NO PODER! Mas precisa organizar-se para exercer o seu poder com cada vez maior eficácia. Vem aí a revisão da constituição. Estejamos atentos. Analisemos com frieza e não com a emoção de todas as distracções que nos lançam. O processo de organização é natural, mas pode também ser pensado e acelerado. Podemos dar forma a essa organização. Académicos, artistas, líderes de opinião, jornalistas...a organização de que tanto precisamos deverá ser alimentada por nós. Nós e nós, polícias de nós mesmos. Eu e eu, polícia de mim mesmo. Povo vigilante. O POVO ESTÁ NO PODER!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Dívida

Estou em Maputo há 1 semana e não disse nada. Perdoem-me a falta de atenção, ou melhor, falta de tempo. Mas vou postar fotos relacionadas com a minha estadia na Dinamarca. Hehe quem promete deve! Abraço a todos.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Copenhagem, bicicletas

Alô a todos, não tenho cumprido a promessa de documentar a viagem aqui. Não imaginava que andaria super ocupado. Mas é assim, já estou em Copenhagem. Bornholm foi muito bom, agora é a vez da grande cidade. Entretanto, vão se deliciando com este site onde os moradores exibem fotos deles "bicicletando". Espectacular!!! Uma proposta para o nosso Maputo com trânsito infernal:

http://www.copenhagencyclechic.com/

domingo, 25 de julho de 2010

Por favor, assinem a petição!

Dirijam-se ao site: http://www.thepetitionsite.com/1/MOZAL-sem-filtros-NAO#signatures


ASSINEM!!!

sábado, 24 de julho de 2010

Sinceramente, que estudo INDEPENDENTE é esse realizado pelas duas entidades envolvidas no processo?

"...Para Julião Cumbana, docente e investigador da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), há garantias que o Governo tem de que não haverá poluição decorrente do facto, pois dois estudos independentes feitos sobre este processo produziram resultados comparáveis. Um primeiro que foi feito pela MOZAL e um segundo realizado pelo Governo.

Segundo Cumbana, foi depois de analisado o plano de medidas a serem tomadas para prevenir possíveis impactos negativos ao ambiente que o Governo decidiu dar luz verde ao projecto, além de que os resultados do estudo feito pela Mozal coincidem, em vários aspectos, com aquele realizado pelo Governo, nomeadamente no que diz respeito às zonas de possível impacto negativo que identificaram as mesmas."

in Notícias, 24 Julho 2010

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Dinamarca

Estou na Dinamarca desde o dia 17. Ando ocupado com os ensaios, mas em breve posto fotos e mais informação. Abraço a todos!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Autorização para poluir Durante Seis Meses


Oiçam isto:

http://www.4shared.com/get/KSwrSUoM/Mozambique_Mozal_Polution_READ.html

e leiam o texto:


A empresa moçambicana de produção de Alumínio, Mozal, está autorizada pelo governo moçambicano, através do Ministério para a Coordenação da Acção Ambiental, a lançar, durante seis meses, para a atmosfera todos os gases e substâncias poluentes resultantes das suas actividades.
Estas substâncias tóxicas têm alcance até um raio de 40 quilómetros e
são comprovadamente atentatórias à saúde pública nas comunidades à sua
volta e mesmo para os trabalhadores da empresa.
A Mozal pediu autorização para operar neste sistema de escape directo,
denominado “Bypass”, porque pretende reabilitar os seus centros de
tratamento de fumos e gases, fundamentais para garantir que as emissões
ambientais da MOZAL cumpram os padrões exigidos por lei, um processo que
durará seis meses.
De acordo com Vanessa Cabanelas, da organização Justiça Ambiental, as
substâncias a ser libertadas pela Mozal podem provocar desde irritações
severas na pele, nos olhos, nas vias respiratórias e até o aumento na
frequência de cancros pulmonares.
A Mozal produz 550 mil toneladas de lingotes de alumínio por ano, o que
representa pouco mais de 70% das exportações de Moçambique. Esta
produção, dependendo do preço do alumínio no mercado internacional,
chega a corresponder ao peso de 7% para o Produto Interno Bruto do país.
Mesmo assim, o grande debate sobre a contribuição fiscal da Mozal para a
economia continua, por estar a beneficiar de avultadas injecções de
impostos, a par de outros mega-projectos.


Fonte:
http://www1.voanews.com/portuguese/news/Polution_Mozambique_14_July_2010_voanews-98437409.html

terça-feira, 6 de julho de 2010

O vídeo de estúdio de "ARRIII"



Ficha técnica (música e video)
Artista/compositor: Azagaia
Programação instrumental(Fruityloops 9): Mr. Dino
Baixo: Adérito (Banda Nyango)
Captação áudio: Gpro xtudio
Mistura: Scam/Singa
Câmara: Bruno (câmara fotográfica Cannon 8MP)
Edição e efeitos especiais: Aftermoonwalker (Etelvino)
Produção: Cotonete Records

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Viagem à Dinamarca/ Versão melhorada de "ARRIII"

Caros, primeiro pedir desculpas aos que baixaram a música "Arrii" e não se sentiram satisfeitos com a qualidade sonora dela. Infelizmente houve erros no estúdio que só foram descobertos depois da música estar disponível. Mas acredito que a maior parte deles já foram resolvidos nesta versão e vocês podem já sacar o som (EM BREVE O VÍDEO DE ESTÚDIO DESSA MÚSICA):

http://www.4shared.com/audio/qE86gDYm/Azagaia-_Arriii.html


VIAGEM À DINAMARCA



O Centro Cultural dinamarquês, Svanekegaarden, convidou-me para, durante 3 semanas, participar de uma série de festivais e workshops em cidades dinamarquesas, nomeadamente Ilha de Bornholm e a cidade capital Copenhagem, de 16 de Julho a 8 de Agosto. Irei partilhar a minha experiência na abordagem de questões sóciais em dois workshops que irão acontecer nas duas cidades, sendo que num deles serei o orador principal. Os dois grandes festivais em que irei participar são o Festival Fairtrade e o Festival Raw. Ainda farei uma apresentação conjunta com o pianista clássico dinamarquês Markus Kreul.

Operação-produção

Um país que não produz engenheiros, produz músicos.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Nacionalismo

Algumas nações são tão nacionalistas que querem que o mundo inteiro seja o seu país.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Arrrii!!! (com a letra)

Eis o link (copie para uma nova página) para descarregar o meu novo som (a respectiva letra também). E abaixo um vídeo que me foi enviado sobre como, por vezes, é tranportada a droga. Neste caso, através de uma criança morta.ATENÇÃO, IMAGENS MUITO FORTES. Óptima escuta:

http://www.4shared.com/audio/KN4ul5do/AZAGAIA_-_Arrriii.html?err=no-sess




Arrriii!!!

I
Tá ver o que é isso...
Empresário de sucesso responder em juízo?! Hum?!!
Tá ver o que é isso...
Nem há costas quentes pra queimar o arquivo?!
E mesmo que ele jure que não fez na-da
Dizem que só há fumo onde há queima-da
O problema é que esse fumo vem do camara-da
Que paga milhões por uma cachimba-da
E se eu dissesse o que toda gente sabe ou imagina
Que o motor deste país funciona à cocaína
...Talvez dissesses que é uma grande mentira
Que o nosso governo caiu numa armadilha
Então como se explica a riqueza do Tio Patinhas
O Hammer da senhora que vendia pastilhas
Negócio de capulanas pariu um Shopping Center?
Pra além de motorizadas, que mais a polícia aceita?
Carros com matrícula à prova de qualquer suspeita,
Negócios com crescimento maior que a receita,
A lei desconfia mas nunca rejeita
Pobreza absoluta é a desculpa perfeita!

Coro secundário:
E o governo faz o quê? (Nadaaa)
E o povo faz o quê? (Nadaaa)
E o escândalo deu em quê? (Nadaaa)
Haaaaaaarrriiiiii!!!!

Coro principal:
O povo falava do nome (dele)
A Polícia recebia uniforme (dele)
Partido comia na mão (dele)
(scratch arrriii)

II
Tá ver o que é isso...
Empresários d´agora vivem num paraíso
Tá ver o que é isso...
Aqui ninguém foge, aqui não há fisco
E quem fiscalizar leva uma raja-da
Como o falecido director da Alfân-dega
Mais bancos e hotéis nascem do na-da
Dinheiro sujo, tua cabeça la-va-da.

Coro secundário:
E o governo faz o quê? (Nadaaa)
E o povo faz o quê? (Nadaaa)
E o escândalo deu em quê? (Nadaaa)
Haaaaaaarriiii!!!!

Coro principal:
O povo falava do nome (dele)
A Polícia recebia uniforme (dele)
Partido comia na mão (dele)
(scratch arrriii)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A análise da "Cena dele"


ATENÇÃO: Estréia nesta sexta feira, 18/06/10, às 23H59, no blog da cotonete records: www.cotonetemoz.blogspot. com, e a seguir aqui, a minha nova música onde faço a minha análise da cena dele. É só fazer o download. É gratuito. Fiquem atentos. Obrigado!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

quinta-feira, 3 de junho de 2010

terça-feira, 1 de junho de 2010

Semana passada

Estimados, semana passada andei ocupado, por isso não postei nada. Mas volto à carga para falar justamente dessa semana.
Durante 5 dias participei da gravação de mais uma curta metragem com a dupla de câmara e realizador, Pipaz Forjaz e Mickey Fonseca. Desta feita, o filme chama-se "Veneno lento" e eu divido o papel principal com a actriz Maria Amélia. Somos um casal, Kwame (polícia) e Crista (farmacêutica) que atravessa uma fase complicada, eu a violo regularmente, sem que, exactamente, me dê conta. Bem, o final da história, vocês verão em breve nas televisões. Fiquem atentos. De lembrar que, para além desta curta metragem, participei em mais duas: "Malha" e "Traídos pela traição". O primeiro a cargo da Malha Filmes e o segundo, tal como o último, a cargo da Mweti Comunicação Para a Saúde Pública. Vejam as fotos:


Kwame em acção no Bairro da Mafalala, entre a equipa de filmagem.


Crista(Maria Amélia), Kwame e o filho do casal, em cena.


Padrinho Kapueta (actor Gravata do Gungu) e o afilhado Kwame, em cena.

Em breve, mais fotos.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O que será?


Esta manhã, quando vía o Telediário da STV, apresentavam uma reportagem sobre a Embaixada de Moçambique nos E.U.A. A 1ª informação que me surpreendeu foi que, de acordo com a nossa embaixada, existem cerca de 450 moçambicanos nos E.U.A, número insignificante. A 2ª informação foi que a Embaixada de Moçambique passa diariamente 70 vistos de entrada de americanos para o nosso país. Estamos a falar de aproximadamente 2100 americanos por mês. Bem, deve-se calcular, cruzando a 1ª e a 2ª informação, que há muitos poucos moçambicanos a entrarem nos States e muitos americanos entrando em Moçambique. Juro que sempre pensei que os pobres é que gostassem de ir à casa dos ricos. O que será que eles tanto fazem aqui?

quarta-feira, 12 de maio de 2010

"O gayismo é pecado"

Quero deixar algumas palavras sobre este assunto. A homossexualidade pode ser pecado, segunda a interpretação bíblica de uns ou não sê-lo, segundo a de outros. O Alcorão terá de certeza algo a dizer. Outros livros sagrados também. O mundo poderá rotular esta prática como quiser. Mas ela é um facto. Não podemos fingir que não existe. E muito menos pensar em irradicá-la através da violência. Errado. A história prova que todas as tentativas de eliminar tendências ou características humanas, via violência, falharam. A título de exemplo, o Nazismo tentou eliminar os Judeus, mas mesmo com holocaustos ou genocídios, falharam. Os Judeus estão aí, e creio que são dos mais ricos (materialmente) neste planeta. É como se a natureza se recusasse e fizesse o "mal" voltar mais forte. As minorias também têm direito a um lugar debaixo do sol. A mãe natureza alimenta a todos. Nenhum homem manda nela. Alguns dizem que a homossexualidade é algo que se adopta levianamente, produto da moda ou influência do meio. Mas eu questiono-me, se é o meio que influencia, por que é que com tanta discriminação e condenação deste fenómeno, os homossexuais não se deixam influênciar e não mudam? Hum...o meio já não funciona na recíproca? No meu ver, de uma forma geral, o que para nós são séculos ou uma eternidade, para a natureza é apenas tempo, nem longo nem curto, apenas tempo. Antes das religiões e crenças, a moral instituída, existia o homem e as suas necessidades básicas. Os seus instintos. E o sexo é dos primeiros e mais incontroláveis. As diferentes formas de satisfação sexual sempre existiram, num universo variado delas, com os seus mistérios e complexidades, concensos e discensos. Será que conhecemos todas as particularidades do mundo animal e vegetal? Elas simplesmente existem. Nós descubrimos e damos nomes. Aprovamos ou condenamos, mas não conseguimos, simplemente, baní-los. A religião tentou. A civilização também. Mas hoje, com a crise religiosa e a afirmação do cifrão como a única lei que nos rege, deixamos aflorar cada vez mais a nossa essência primitiva, animal e até mesmo selvagem. Voltamos ao princípio, não importa quantos séculos depois. É a natureza. Sem tabus ou preconceitos. As coisas são como são.Enfim... Por isso defendo a igualdade de direitos e oportunidades para todos Homens. Não importa a raça, origem ou orientação sexual. Que a paz e o amor sejam em abundância para todos!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O aniversário

Bem, eu queria narrar os acontecimentos do meu aniversário-concerto, mas há quem já o fez e, diga-se em abono da verdade, fê-lo muitíssimo bem. Vejam aqui:
http://mundodafama.com/2010/05/07/review-do-showniversario-acustico-%E2%80%93-azagaia/

Muito obrigado ao pessoal do Mundo da Fama pelo excelente review. E já agora, não tirei fotos do concerto, quem tiver algumas fotos, envia, por favor, para cortadordelenha@hotmail.com, vou postá-las aqui.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Boa música, mentiras, verdades, bolo e champagne!

Fica aqui o convite. Acredito que será uma noite para nos revermos. Todos amantes de boa música tem lugar garantido. Será uma experiência nova para mim, trabalhar com diferentes instrumentistas, mas quero que todos que me acarinham, acompanhem o meu crescimento musical. A vossa presença, é tudo o que quero de presente heheheh!!!

CELEBRAR COM AZAGAIA

Nesta quinta-feira, dia 6 de Maio, completo anos e resolvi organizar um concerto acústico para celebrá-lo, no Mafalala Libre, às 21H00. Irei fazer algo inédito para mim, mas que sempre me apeteceu. Vou tocar alguns dos meus temas, com acompanhamento um acústico diferente. A título de exemplo, ouviram a minha voz acompanhada de uma Mbira, um Sax ou simplesmente uma guitarra. Dentro de algumas horas, postarei o cartaz com os convidados e mais detalhes. Fiquem atentos. Conto connvosco.

terça-feira, 27 de abril de 2010

As mentiras

Música:As mentiras
Artista: Azagaia
Álbum: Babalaze


(Azagaia) [Muné]
(Hoje eu trago-vos um amiginho chamado Muné, e ele vai contar-nos uma anedota
Não é Muné?!)
[-quando um branco compra uma bicicleta, o outro branco compra uma mota,
e depois outro branco compra um carro e o outro depois compra um aviao.
-mas quando um negro compra uma bicicleta
-sabem o que faz o outro negro?
-fura o pneu dessa bicicleta he he he...]

Coro:
É MENTIRA
Que tu
És independente
Que levas pra frente
O teu continente 2X
É MENTIRA
Tu nao quebraste a corrente
Nao passas de um escravo inconsciente

I
Se eu te chamasse preto!? (preto)
De certeza que te ofendias
Porque preto era o escravo e já lá foram esses dias mas,
Será que és realmente livre (será?)
P´ra responderes nem precisas ser detective

Olha a tua volta
Nada do que consomes produziste (não)
Desde o carro que conduzes até a roupa que vestiste
A TV que tu adoras (um)
O relógio que dá-te horas (dois)
Até a casa onde moras nao foste tu que construiste

Da lâmpada ao telemovel, do computador à aparelhagem
Não produziste nada disto,
nem participaste na montagem
40 anos de independencia
Nenhum avanço na ciência
Ainda precisas que o europeu te dê a cura pr'uma doença
Não fabricas medicamentos
Não fabricas armamentos
Se houvesse outra guerra mundial
Tu não tinhas argumentos
500 anos de escravidão, (sim)
E os europeus levaram (o quê?)
36 milhões de escravos e só 16 sobreviveram

Agora chamas o europeu, o americano ou o caraças
Pra sugarem o teu petróleo e montarem aqui suas casas
Mas nao montam aqui as fabricas, apenas compram-te o barril
Com uma nota de 100 pra depois venderem-te a mil

Porque tu és o comprador que lê o manual da prática
Que sabe utilizar mas não percebe nada da máquina
Não percebes matemática
Nem química, nem informática
Preferes economia ou ser figura diplomática

Mas tu vives uma mentira,
Em África nao há economia,
Como pode ter economia
Um continente que só consome
Tudo que os outros produzem desde o que veste ao que come
Da religião a cultura
até ao teu próprio nome

Eu digo tu, mas digo a nós
No continente ou na diáspora (2x)
Africanos independentes que empobrecem a nossa África


Coro:
É MENTIRA
Que tu
És independente
Que levas pra frente
O teu continente 2X
É MENTIRA
Tu nao quebraste a corrente
Nao passas de um escravo inconsciente


II
E a ilusão do sucesso negro é o que se vê e já se sabe
Há mais ditadores em África que em qualquer outra parte
Dentro de cada um de nós, há um Kadafi,um Mugabe
Damos uma metade ao povo vai pra Suíça outra metade

E adoramos ser patrões, negros adoram mandar
E e só pra ter dinheiro que a juventude esta a estudar
Nós não queremos inovar, nem inventar ou criar
Novas tecnologias ou até mesmo copiar...
Pelo contrário, hah
Lá vem mais um B.M.W
Há mais Mercedes em África que no país originário
E se não for estrangeira a marca então não presta o vestuário
Nos envergonham os dialectos, no nosso vocabulário

E quanto mais branco parecer,mais esse negro se orgulha
Acredita se o branco prometer meter um camelo pela agulha
Porque o branco para o negro tá à cima de qualquer suspeita
E basta o deus ser branco, pra nós seguirmos a seita

Não adianta bancar a vítima
Faz antes uma auto-crítica
Verifica se cada uma destas frases não é verídica
Chega de lamber a ferida e parecer um cão sarnento
E depois de ganhar a esmola esquecer as crias ao relento

Enches o peito de colares e kilos de orgulho besta
E nao vês o que tá escrito bem no meio tua testa
Preto ignorante, estúpido vendedor da pátria
Com essa pose de importante que não nos ajuda em nada

Tu tens que acordar,
e dar importância ao que merece
E deixares de te preocupar,
só quando o problema aparece
Ou então vais acabar
acorrentado outra vez
Esse xxxx não te respeita e vai te mostrar outra vez

Eu digo tu, mas digo a nós
No continente ou na diáspora (2x)
Africanos independentes que empobrecem a nossa África

Coro final (3x)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Em breve!

Caros, em breve postarei sobre a minha embrionária carreira de actor hehe. Fiquem atentos.

Bom final de semana.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Eu tenho um amor

Eu tenho um amor impossível que mora no último lote de moedas que não tenho.
Meu amor é gentil, reluz, e é ouro.
Meu amor é desejado por mil apaixonados que lhe fazem serenatas em Mercebez Benz.
Meu amor é sonho, nem é cinema, é Kuxakanema.
Meu amor mora na casa do outro.
É fornicado numa posição pornográfica à moda dos filmes dos meus sonhos mais eróticos
Por um filho da mãe que tem aquele impossível último lote de moedas que não tenho
Filho da puta desse amor...desse meu amor...meu adorado amor!

Será que devo lutar por esse amor?
Numa luta jamais vencida pelos vencedores mais audazes?
Heróis dos filmes que vi nas páginas jamais escritas por um realizador chamado Notícias?
Será?...

Eu tenho um amor capaz de ser chorado em todos os saraus do mundo
Por poetas resignados
Fodidos da vida pela inconormidade incontornável de não poder tê-lo e amá-lo.

Eu tenho um amor
Mas sabem que mais?
O amor sempre vale a pena
Se não for por ele, que seja pelo verbo que o faz existir...AMAR.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Ao contrário!

Hoje, enquanto almoçava, via o Opinião Pública da STV. O tema era o Plano Quinquenal do Governo. Um debate entre o jornalista, um deputado da Frelimo e outro da Renamo. Até aqui, tudo bem. Mas sinceramente acho que este mesmo debate devia ter acontecido noutra altura. Não agora, depois do PQG ser aprovado pela assembleia. Já agora, parece que é moda aqui, promoverem-se debates depois das leis/planos serem aprovados. Não seria mais útil fazê-lo antes, de modo a influenciar na aprovação ou não das leis? Os E.U.A são um exemplo disso, houve acessas discussões à volta do Plano de Saúde proposto por Obama, antes da sua aprovação. A isto podemos chamar: participação da sociedade civíl na governação. O contrário, como vi hoje na STV, soa mais a um pretexto para caçar uma audiência desavisada. Com todo o reconhecimento pelo trabalho da STV, mudei de canal!